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O Poder da Natureza no Processo Cognitivo

Nosso cérebro é responsável por inúmeras atividades e funções. Quero explorar primeiro as funções executivas, ou seja, as habilidades cognitivas que nos permitem controlar e regular pensamentos, emoções e ações face a conflitos e distrações.

Há três categorias de funções executivas:

 

  1. Autocontrole

Capacidade de resistir à tentação de fazer algo, resistir ao impulso e concentrar-se no que é necessário. Por exemplo, resistir ao impulso de checar o celular durante uma aula, palestra etc.

  1. Memória de trabalho

A capacidade que temos de manter informações na mente por um determinado período e interagir com o conteúdo de nossa memória de longo prazo. Ela é limitada quanto à capacidade de informação.

  1. Flexibilidade Cognitiva

Pensar de maneira criativa e ser resiliente para se adaptar às demandas e mudanças constantes. Permite utilizar a imaginação e a criatividade para resolver problemas, como por exemplo: saber usar os diversos tempos verbais e de forma adequada em idioma estrangeiro; resolver problemas matemáticos etc.

 

Também existe a função da atenção e existem duas categorias de atenção: involuntária e voluntária. Quando prestamos atenção em algo involuntariamente, é porque o objeto de nossa atenção tem alguma característica intrigante que nos atrais com facilidade. Já a atenção voluntária tem a ver com nossa vontade, com nossa capacidade de focar a atenção no que quisermos. O problema é que a atenção voluntária se esgota facilmente e precisa de recargas contínuas. A involuntária não queima tanto assim os recursos limitados do nosso cérebro.

 

Atividades, como dirigir no congestionamento, estar em lugares barulhentos, drenam as baterias das funções executivas. Por outro lado, a contemplação e contato com a natureza, mesmo que seja em um parque ou simplesmente um jardim, fazem com que os recursos neurais, que orientam nossa atenção voluntária, sejam recarregados.

 

Nos anos 70, um casal de psicólogos da Universidade de Michigan, Stephen e Rachel Kaplan, apresentaram a ideia de que a natureza pode agir como uma espécie de bateria, recarregando as limitadas reservas de atenção que o cérebro humano possui. Eles a chamaram de teoria da restauração da atenção.

Ming Kuo, uma professora assistente que trabalhou na Universidade de Illinois, conduziu pesquisa com moradores do complexo Robert Taylor Homes, no final dos anos 1990, e descobriu que pessoas vivendo em moradias com vista para o verde, têm uma capacidade significativamente maior de focar a atenção, procrastinam menos ao tomar decisões importantes e veem os problemas mais como desafios do que como ameaças.

O psicólogo Roger Ulrich descobriu, em seu estudo, que os pacientes em recuperação pós-cirurgia, em quartos com vista para paisagens verdes, se recuperaram mais rapidamente, tomaram menos analgésicos e foram considerados mais resistentes emocionalmente.

Por fim, no Japão, existe um conceito chamado “banho de floresta” (em japonês é shinrin-yoku) nos quais as pessoas passam alguns momentos dentro da mata para relaxar. Nesta ilustração abaixo, podemos verificar os benefícios do contato com a natureza.

 

Imagem original de artigo da Revista Veja

Diante de todas essas informações, avalie o quanto você tem dedicado de seu tempo para estar em contato com a natureza. Se não estiver fazendo nada ou muito pouco, experimente incrementar esse contato e medir os resultados de funcionamento cognitivo do seu cérebro, de concentração nos estudos e trabalho. Que tal caminhar, ler um livro, escrever, ouvir podcast, assistir a um vídeo, fazer um piquenique num parque ou praça?

Se quiser compartilhar os resultados, escreva para ligia@companhiadeidiomas.com.br.

Escrito por Lígia Velozo Crispino para a Você RH.

 

Lígia Velozo Crispino, sócia-fundadora da Companhia de Idiomas (https://www.companhiadeidiomas.com.br). Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC e extensões na área de Marketing na ESPM, FGV e Insper. Coautora do Guia de Implantação de Programas de Idiomas em empresas e autora do livro de poemas Fora da Linha. Mobilizadora cultural à frente do Sarau Conversar, cofundadora do Instituto Velô. Mentora voluntária da Fundação Éveris. Colunista da Revista Exame. Hobbies: aquarela e fotografia. Quer falar comigo? ligia@companhiadeidiomas.com.br.

 

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